Juíza do Maranhão lança campanha de amor e solidariedade para proteger índios Guajajaras da Covid-19

Por Jacqueline Heluy//

Em tempos de pandemia, uma corrente de amor e solidariedade, lançada por uma juíza de Direito do Maranhão, tem se espalhado para tentar proteger índios da tribo Guajajara, no município de Barra do Corda, da contaminação pelo novo coronavírus. A Covid-19 tem se disseminado em aldeias, ocasionando já algumas mortes.

De acordo com a plataforma de dados da Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), até esta quarta-feira (15), o coronavírus já havia atingido 130 povos indígenas do Brasil, com 15.180 contaminados e 508 índios mortos.

A campanha “Doem Máscaras e álcool em gel para nossos irmãos indígenas”, de iniciativa da juíza aposentada Edeuly Maia Silva, foi lançada semana passada nas redes sociais. Logo no primeiro dia, conseguiu sensibilizar vários magistrados e amigos e arrecadou R$ 5 mil.

Edeuly explica que a ideia da campanha surgiu após receber um apelo desesperado de um morador de uma das aldeias do município de Barra do Corda. “A esposa e a filha dele já estão contaminadas por Covid, já havia ocorrido uma morte e muitos outros índios também estão acometidos pelo vírus”.

De imediato, a magistrada entrou em contato com assessora do vice-prefeito de Barra do Corda, que se comprometeu a enviar um médico às aldeias para consultar os moradores.

Inquieta com a situação, Edeuly continuou em contato com os moradores das aldeias e descobriu que não possuíam máscaras de proteção e nem álcool em gel para tentar conter a contaminação.

A juíza usou as próprias redes sociais e lançou um apelo aos seus amigos e seguidores: “Infelizmente, a Covid-19 já chegou também às aldeias do nosso Maranhão. Já houve óbitos e muitos infectados. Os indígenas estão isolados em suas aldeias, mas a contaminação já ocorre de forma doméstica. Não há máscara e nem álcool gel para realizar a prevenção. Por esta razão, peço ajuda para comprarmos máscaras e álcool gel para as aldeias”, disse ela, em posts no Facebook e Instagram.

Edeuly disponibilizou as próprias contas bancárias para os que quisessem ajudar na compra do material.

A campanha surtiu efeito e a ajuda veio rápido. O resultado do primeiro dia, na avaliação de Edeuly, foi um milagre de Deus. Com os recursos arrecadados até o momento, ela comprou 400 frascos de álcool gel e mais de duas mil máscaras de tecido de excelente qualidade, confeccionadas em Barra do Corda.

Álcool em gel comprado com as doações recebidas pela juíza Edeuly já começou a ser distribuído nas aldeias da tribo Guajajara, em Barra do Corda

Os primeiros materiais de proteção aos índios já foram entregues pela juíza, com o apoio do seu marido Luiz Carlos, aos moradores das aldeias Colônia e Sardinha Nova. Com a arrecadação de mais doações, Edeuly pretende ampliar a entrega de material de proteção a outras aldeias. Esta semana ela já recebeu mais 300 máscaras confeccionadas por mulheres do bairro Anjo da Guarda, sem cobrar qualquer custo. “É a força do amor vencendo”

Sai a toga e entram as obras sociais

A inquietude e a eterna sede de amor ao próximo sempre foram uma marca na vida de Edeluy. A dedicação é tão grande que a impulsionou a deixar uma promissora carreira na Magistratura estadual para se dedicar aos trabalhos sociais na Primeira Igreja Cristã Evangélica de São Luís, que fica no retorno da Forquilha.

Em janeiro deste ano, Edeuly aposentou-se, aos 54 anos, juntando o tempo de serviço de 16 anos na Magistratura com mais 14 anos na Justiça Eleitoral.

“Eu ouvi um chamado de Deus no meu coração. A Magistratura não me permitia ter tempo suficiente para estas obras, principalmente por não estar fisicamente em São Luís”, disse Edeuly.

Ultimamente, ela tem se dedicado, junto com o marido, a uma comunidade nas imediações de Pedrinhas, ajudando casais humildes a construírem suas próprias casas. A primeira campanha para arrecadar recursos veio por meio de uma rifa, organizada por Edeuly, com cinco toalhas de prato de croché. Conseguiu arrecadar mil reais, que deu para comprar o primeiro material de construção.

Edeuly diz acreditar na força do amor e que uma rede de solidariedade pode salvar vidas. A exemplo da campanha de proteção às comunidades indígenas do Maranhão contra a contaminação pela Covid-19. Quem quiser entrar nesta corrente do bem, eis as contas para transferência bancária:

CEF Ag 0027, Operação 013, Conta 27190-5

BB Ag 1878-3, Operação 51, Conta 8973-7

Em ambas a titular é Edeuly Maia Silva.

Comprovantes devem ser enviados para o whatsapp (98)988576071

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