Estudante guajajara eleito deputado defende políticas públicas para mulheres vítimas de violência nas aldeias

Telmiston Guajajara subiu à tribunal da Assembleia para defender o projeto que beneficia mulheres indígenas

Jacqueline Heluy/Foto: JR Celedonio   –

Pela primeira vez em sua história, o Maranhão tem um legítimo representante indígena no Legislativo Estadual. Telmiston Filho Guajajara, de 17 anos, é um dos 22 deputados estudantes eleitos para o Parlamento Estudantil 2017, da Assembleia Legislativa.

A posse dos jovens deputados e deputadas estudantes aconteceu na tarde desta sexta-feira (24), no Plenário Nagib Haickel. O mandato dos membros do Parlamento Estudantil terá duração de um ano.

O Parlamento Estudantil da Assembleia Legislativa é formado por estudantes do Ensino Médio, meninos e meninas, dos municípios de São Luís, Caxias, Bacabal, Santa Helena, Grajaú, Coroatá, Dom Pedro, Colinas, Matinha, Barra do Corda, São Luiz Gonzaga e Pindaré Mirim.

Representante do Partido dos Direitos Humanos, o garoto Telmiston Guajajara elegeu-se para o Parlamento Estudantil disputando uma das 22 vagas com outros 223 alunos de escolas públicas de todo o estado.

Filho e neto de índios, nascido e criado na aldeia Morro Branco, da nação indígena Guajajara, município de Grajaú, Temilson chegou ao Parlamento Estudantil Maranhense decidido a lutar pelos povos indígenas.

Líder nato, logo após a posse foi eleito para compor a Mesa que conduziu os trabalhos da sessão legislativa, ocupando o cargo de 1º secretário.

E com muita desenvoltura logo subiu à tribuna para defender o Projeto de Lei 17/2017, de sua autoria, que cria a Coordenação de Assistência à Mulher Indígena, vinculada à Fundação Nacional do Índio.

“As condições das mulheres nas nossas aldeias indígenas são precárias. Elas são vítimas constantes de violência física, sexual, moral e psicológica e não dispõem de qualquer tipo de proteção ou amparo”, denunciou Temilson.

O deputado estudante reivindica com urgência políticas públicas voltadas ao atendimento à mulher indígena, com ações que tornem real o acesso feminino aos direitos socioassistenciais.

VIOLÊNCIA EM TERRA INDÍGENA

O alerta feito pelo deputado estudante Telmiston é preocupante. Estudo das Nações Unidades comprova que a violência contra meninas e mulheres índias é velada e pouco discutida em vários países. No Brasil, esta realidade é brutal e intensificada pelo histórico de dominação colonial, exclusão política e econômica, além da falta de serviços básicos nas comunidades indígenas.

Pesquisa da Universidade Federal da Bahia afirma que em vários estados brasileiros, a exemplo do Amazonas, as mulheres índias também enfrentam, além da violência doméstica, negligência, exploração, tráfico humano, trabalho forçado e escravo.

No Maranhão, a violência nas comunidades indígenas também tem sido uma permanente ameaça aos homens. De setembro a novembro do ano passado, seis índios da etnia tenetehara/guajajara foram assassinados nas terras Bacurizinho, Cana Brava e Morro Branco, localizadas nos municípios de Grajaú e Barra do Corda.

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário, eles lutavam pela preservação das reservas indígenas contra as ações dos madeireiros.

A T.I Morro Branco, na qual aconteceu um dos assassinatos, é a terra indígena em que Telmiston nasceu, em Grajaú (MA). Ele disse que conhece de perto a realidade de violência e constante ameaça sofridas por mulheres de sua comunidade Mas não demonstra ter medo, muito pelo contrário, disse que pretende ser uma voz constante para que esta situação um dia mude.

Com muita determinação, Telmiston garante: “pretendo seguir a carreira política para lutar pelos povos indígenas do Maranhão”.

A eleição do garoto guajajara para o Parlamento Estudantil 2017 pode ter sido apenas o primeiro passo de uma promissora carreira política. E não apenas dele, como dos outros 21 deputados estudantes que tomaram posse. Sinal de que a iniciativa da Assembleia Legislativa de incentivar a formação de jovens lideranças na política maranhense é excelente e pode render bons frutos.

 

 

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